Aposento CertoAposentadoria pelo INSS explicada antes de você pedir
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Carência e tempo de contribuição não são a mesma coisa

Entenda por que o INSS mede carência em número de contribuições e tempo em dias, o que fica de fora de cada conta e como evitar ter os anos mas faltar carência.

Batido em 5 min de leituraNível iniciante

Por Redação Aposento Certo

Roteiro do cartão 9 partes
  1. O que é carência, em uma frase
  2. O que é tempo de contribuição
  3. Comparação lado a lado
  4. O que fica fora da carência
  5. Como dá para ter tempo e faltar carência
  6. E o contrário: carência sem tempo
  7. Perda da qualidade de segurado e carência
  8. Como conferir as duas contas no Meu INSS
  9. Próximos passos

O que é carência, em uma frase

Pense na carência como um contador de meses pagos. Cada mês com contribuição válida soma um. A Lei 8.213/1991 define quantos meses cada benefício pede: para as aposentadorias por idade, por tempo e especial, o número fica na casa das 180 contribuições, mas confira o exigido para a sua regra na página do INSS, porque leis mudam.

Carência não liga para quantos dias você trabalhou no mês. Um mês com vínculo e contribuição válida conta como um, tenha durado 30 dias ou só 5.

O que é tempo de contribuição

Tempo de contribuição é a soma do calendário. Cada dia em que você esteve coberto por um vínculo ou por uma contribuição aceita entra na conta. Também entram períodos em que você não pagou, mas a lei manda contar, como alguns afastamentos e o trabalho rural antigo.

As regras de transição da reforma de 2019, como a dos pontos e a dos pedágios, olham principalmente para esse tempo. A aposentadoria por idade, por sua vez, olha para a idade e para a carência. O guia Como contar seu tempo de contribuição sem pular nenhum período mostra a soma passo a passo.

Comparação lado a lado

Ponto Carência Tempo de contribuição
Unidade Número de meses com contribuição Anos, meses e dias
Mês com poucos dias de trabalho Conta 1 mês Conta só os dias
Dois empregos no mesmo mês Conta 1 mês Conta o período uma vez
Trabalho rural antigo sem contribuição Em regra, não conta Pode contar, com prova
Conversão de tempo especial Não aumenta a carência Pode aumentar o tempo
Benefício por incapacidade entre contribuições Conta Conta

O que fica fora da carência

Alguns períodos aumentam o tempo, mas não mexem no contador de carência. Os mais comuns:

  • Trabalho rural anterior a novembro de 1991 sem contribuição. A lei aceita esse período como tempo, mas não como carência, exceto na aposentadoria por idade do trabalhador rural, que tem regra própria. Veja Trabalho na roça antes da carteira assinada conta na aposentadoria?.
  • Acréscimo da conversão de tempo especial. Quem trabalhou exposto a agentes nocivos antes da reforma pode multiplicar aquele período, mas o ganho é só no tempo. O número de meses pagos continua o mesmo. Mais em Tempo especial por insalubridade.
  • Contribuições em atraso de contribuinte individual sem pagamento anterior em dia. O tempo pode ser reconhecido depois de pagar, mas a carência só começa a contar a partir do primeiro recolhimento feito no prazo.
  • Meses abaixo do mínimo depois da reforma, enquanto não forem ajustados. Veja Contribuição abaixo do mínimo.

Como dá para ter tempo e faltar carência

Imagine a dona Lúcia, hipotética, com 62 anos. Ela trabalhou na roça com a família dos 14 aos 24 anos, tudo antes de 1991, e depois teve 14 anos de carteira assinada na cidade, sem buracos.

  • Tempo de contribuição: 10 anos rurais mais 14 urbanos dão 24 anos, se ela provar o período rural.
  • Carência: os 10 anos rurais antigos, sem contribuição, ficam fora. Sobram 14 anos de carteira, ou 168 meses.

Na conta da carência, faltariam 12 meses para chegar a 180. A soma de anos parece confortável, mas o pedido pode travar no contador de meses. Nesse tipo de situação existe a aposentadoria por idade híbrida, que mistura tempo rural e urbano para cumprir a carência. Vale estudar o caso com a regra oficial antes de concluir que falta alguma coisa.

E o contrário: carência sem tempo

Acontece também. Pense no seu Jorge, hipotético, que nos últimos 5 anos teve vários contratos curtos, de 10 a 15 dias cada, um por mês. Cada mês com contribuição válida soma 1 na carência: 60 meses em 5 anos. No tempo de contribuição, porém, entram só os dias trabalhados, algo bem abaixo de 5 anos.

Se ele mira uma regra baseada em tempo, como a regra dos pontos, esse período ajuda menos do que o contador de carência faz parecer.

Perda da qualidade de segurado e carência

Quando você fica um tempo sem contribuir, pode perder a qualidade de segurado, que é o vínculo com o INSS. Para as aposentadorias por idade e por tempo, a perda não apaga as contribuições antigas: elas continuam contando quando você pedir o benefício.

Para outros benefícios, como o auxílio por incapacidade, a lei exige recuperar parte da carência depois de voltar a contribuir. Como os prazos e as frações já mudaram algumas vezes, confira a regra vigente na Lei 8.213/1991 e no Meu INSS.

Como conferir as duas contas no Meu INSS

O simulador do Meu INSS mostra, para cada regra, o tempo de contribuição e a carência que o sistema encontrou. O extrato do CNIS mostra os meses um a um. Ao comparar:

  1. Veja se o número de carência bate com os meses que você contou.
  2. Procure meses com indicador de pendência, porque eles podem estar fora da carência.
  3. Confira se contribuições em atraso aparecem e como foram tratadas.

O passo a passo do simulador está em Simulador do Meu INSS: como usar e por que o resultado pode mudar.

Próximos passos

  1. Baixe o extrato do CNIS no Meu INSS e conte, separadamente, os meses com contribuição e o tempo total.
  2. Marque na lista os períodos que só entram no tempo, como rural antigo e conversão especial.
  3. Rode o simulador e compare a carência que ele mostra com a sua contagem.
  4. Se faltar carência, estude a aposentadoria por idade urbana e as opções de contribuição antes de desistir.
  5. Faça o pedido pelo Meu INSS ou pela Central 135, que são gratuitos; em caso complexo, procure a Defensoria Pública.

Perguntas no balcão

Quantas contribuições são exigidas de carência para a aposentadoria?
A Lei 8.213/1991 fixa a carência das aposentadorias programáveis em um número de contribuições mensais, que hoje é de 180 para a maioria dos casos. Como regras podem mudar, confira o número exigido para a sua regra na página do INSS antes de pedir.
Contribuição paga com atraso conta como carência?
Depende. Para o contribuinte individual, as contribuições pagas em atraso só contam como carência se houve pelo menos um pagamento em dia antes e se você não perdeu a qualidade de segurado no meio. Cada caso é analisado pelo INSS.
Um mês em que trabalhei poucos dias conta como uma contribuição inteira?
Para a carência, o mês com contribuição válida conta como uma contribuição, mesmo que o vínculo tenha durado poucos dias. Já no tempo de contribuição entram só os dias trabalhados.
Onde vejo minha carência?
No Meu INSS, pelo simulador de aposentadoria e pelo extrato do CNIS. O acesso e o pedido de benefício são gratuitos pelo site, pelo aplicativo ou pela Central 135.

Onde conferir

Aviso. Conteúdo educativo, não é orientação jurídica. Idade mínima, pontos, piso, teto e alíquotas mudam ou são reajustados: confira o valor vigente no site do INSS antes de decidir. O Aposento Certo não é órgão do governo, não dá entrada em benefício por ninguém e não indica advogado. Leia o aviso legal.
Quem assina este cartão: Redação Aposento Certo

Escrevemos a partir das páginas oficiais do INSS e da legislação, sem cobrar nada de quem lê. Achou um erro ou uma regra desatualizada? Fale com a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 26 de abril de 2027. Veja a política editorial.

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