Aposento CertoAposentadoria pelo INSS explicada antes de você pedir
CNIS

Salário errado ou zerado no CNIS: por que derruba o valor e como provar o certo

Remuneração menor ou em branco no CNIS reduz a média da aposentadoria. Veja como achar o erro, quais provas o INSS aceita e como pedir o acerto no Meu INSS.

Batido em 5 min de leituraNível intermediário

Por Redação Aposento Certo

Roteiro do cartão 7 partes
  1. O que é salário de contribuição
  2. Por que um mês errado pesa na conta
  3. Como achar o erro no extrato
  4. Provas que o INSS aceita para o salário
  5. Se a empresa não recolheu
  6. Como pedir o acerto
  7. Próximos passos

O que é salário de contribuição

Salário de contribuição é o valor sobre o qual se calcula a contribuição ao INSS. Para o empregado, é basicamente a remuneração do mês, respeitando um piso e um teto. Para o autônomo e o facultativo, é o valor que a pessoa declara ao pagar a guia, também dentro desses limites.

Piso e teto são reajustados periodicamente. Não use número de memória: confira os valores vigentes na página do INSS sobre contribuição previdenciária e salário de contribuição.

Por que um mês errado pesa na conta

Pela regra da Reforma da Previdência de 2019, a média salarial considera todos os salários de contribuição a partir de julho de 1994, corrigidos. O valor da aposentadoria sai de um percentual dessa média. O guia média salarial do INSS detalha quais meses entram.

Em um exemplo simples, imagine o Carlos, com 300 meses de contribuição desde 1994, todos de R$ 3.000 já corrigidos. A média seria R$ 3.000.

Agora suponha que 24 desses meses aparecem zerados no CNIS, porque a empresa não informou. O sistema pode simplesmente desconsiderar os meses sem valor, e aí há tempo a menos. Ou, se aparecem com valor errado, por exemplo R$ 1.000, a conta fica assim:

  • 276 meses × R$ 3.000 = R$ 828.000
  • 24 meses × R$ 1.000 = R$ 24.000
  • Soma: R$ 852.000 ÷ 300 = R$ 2.840

A média cai R$ 160 por mês. Sobre ela incide o percentual da regra, e essa diferença acompanha o benefício pela vida toda. Os números são hipotéticos, mas mostram por que vale conferir mês a mês.

Como achar o erro no extrato

  1. Baixe o CNIS no Meu INSS. Se nunca fez, siga o guia como tirar o extrato do CNIS.
  2. Vá até a parte de remunerações de cada vínculo, organizada por competência (o mês de referência).
  3. Compare com seus holerites ou com as alterações de salário anotadas na carteira.
  4. Marque meses em branco, valores muito baixos e saltos sem explicação.
  5. Veja se o mês tem algum indicador ao lado. Se tiver, leia a legenda do extrato e o guia sobre pendências no CNIS.

Atenção a um detalhe: se você teve dois empregos ao mesmo tempo, os salários aparecem em vínculos separados. Some os dois antes de concluir que algo está errado. Também é normal o valor do CNIS ser diferente do salário líquido do holerite: o cadastro registra a remuneração bruta sujeita à contribuição, antes dos descontos, limitada ao teto.

Provas que o INSS aceita para o salário

  • Holerites ou contracheques do período, com nome da empresa e desconto do INSS.
  • Carteira de trabalho, nas páginas de contrato e de alteração salarial.
  • Declaração da empresa, em papel timbrado, com os salários mês a mês, assinada e identificando quem assina.
  • Termo de rescisão, que mostra o último salário.
  • Sentença ou acordo da Justiça do Trabalho que reconheceu diferenças salariais.
  • Extrato do FGTS, que mostra os depósitos mensais e ajuda a estimar o salário da época.

O Regulamento da Previdência permite que o segurado peça a inclusão ou a correção de remunerações no CNIS a qualquer momento, apresentando documentos. Informação enviada pela empresa muito tempo depois pode exigir prova adicional.

Quando você não tem mais os holerites

É comum ninguém guardar contracheque de 20 anos atrás. Nesse caso, combine o que existir. As anotações de aumento salarial na carteira mostram o salário em datas específicas, e o extrato do FGTS mostra os depósitos mensais, que costumam ser um percentual do salário. Com esses dois, já dá para reconstruir boa parte do período.

Se a empresa ainda funciona, o setor de pessoal pode emitir a relação de salários com base na folha de pagamento antiga. Peça por escrito e guarde a resposta, mesmo que seja negativa: ela mostra ao INSS que você tentou.

Se a empresa não recolheu

Para o empregado, a lei põe na empresa a obrigação de descontar e recolher a contribuição. Se ela descontou do seu salário e não repassou, o problema dela com o Fisco não deveria apagar o seu tempo. O que conta é você provar o vínculo e a remuneração.

Para o autônomo, a lógica é outra: quem recolhe é a própria pessoa. Mês sem guia paga não aparece porque não houve pagamento, e a saída passa pelas regras de recolhimento em atraso. O guia sobre pagar INSS atrasado explica quando isso vale.

Como pedir o acerto

  1. Entre no Meu INSS com a conta gov.br.
  2. Toque em "Novo pedido" e busque por "remuneração", "vínculo" ou "CNIS".
  3. Escolha o serviço de atualização ou acerto de vínculos e remunerações.
  4. Descreva o erro em poucas linhas, com o período e o valor correto. Exemplo: "Remunerações de 01/2005 a 12/2006 da empresa X aparecem zeradas. Anexo holerites."
  5. Anexe os documentos em PDF legível e guarde o protocolo.

Pela Central 135 também dá para registrar o pedido. Os dois canais são gratuitos e você não precisa de intermediário. Em casos difíceis, a Defensoria Pública da União atende quem não pode pagar advogado.

Próximos passos

  1. Baixe o CNIS e confira a remuneração de cada mês desde julho de 1994.
  2. Reúna holerites e a carteira de trabalho dos períodos com problema.
  3. Se a empresa ainda existe, peça a declaração de salários mês a mês.
  4. Abra o pedido de acerto no Meu INSS e acompanhe pelo protocolo.
  5. Depois da correção, refaça a estimativa do valor da aposentadoria.

Perguntas no balcão

Salário faltando no CNIS diminui a aposentadoria?
Pode diminuir. Depois da reforma de 2019, a média usa os salários de contribuição desde julho de 1994. Um mês com valor menor que o real puxa a média para baixo, e o valor do benefício sai dessa média.
A empresa não recolheu o INSS. Eu perco o período?
Para o empregado, a lei põe a obrigação de recolher na empresa. O que você precisa é provar que trabalhou e quanto ganhava, com carteira, holerites e outros papéis. A cobrança da empresa é assunto do Fisco.
Posso corrigir salário depois de aposentado?
Sim, por meio da revisão do benefício, dentro do prazo previsto em lei. Conferir antes do pedido é mais simples, porque o cálculo já sai certo desde o começo.

Onde conferir

Aviso. Conteúdo educativo, não é orientação jurídica. Idade mínima, pontos, piso, teto e alíquotas mudam ou são reajustados: confira o valor vigente no site do INSS antes de decidir. O Aposento Certo não é órgão do governo, não dá entrada em benefício por ninguém e não indica advogado. Leia o aviso legal.
Quem assina este cartão: Redação Aposento Certo

Escrevemos a partir das páginas oficiais do INSS e da legislação, sem cobrar nada de quem lê. Achou um erro ou uma regra desatualizada? Fale com a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 26 de abril de 2027. Veja a política editorial.

Na mesma gaveta

Outros cartões de CNIS e documentos. Abrir a gaveta

  1. CNIS CNIS com vínculo faltando ou data errada: como pedir a correção Emprego que não aparece ou data de saída errada no CNIS? Veja como pedir a correção de vínculo pelo Meu INSS, quais provas anexar e como acompanhar o pedido. 5 min · Nível intermediário
  2. CNIS Alerta e pendência no CNIS: o que significam e o que fazer antes de pedir Entenda por que o INSS marca indicadores e pendências em períodos do CNIS, como isso afeta o pedido de aposentadoria e o que resolver antes de dar entrada. 5 min · Nível intermediário
  3. CNIS Extrato do CNIS: como tirar pelo Meu INSS e ler cada coluna Veja como baixar o extrato do CNIS no Meu INSS com a conta gov.br e entenda vínculo, datas, remunerações e indicadores antes de pedir a aposentadoria. 6 min · Nível iniciante
  4. Regras Regras de transição: as saídas de quem já contribuía antes da reforma Contribuía para o INSS antes de novembro de 2019? Veja as cinco regras de transição, o que cada uma exige e como descobrir qual chega primeiro no seu caso. 6 min · Nível intermediário