Aposentadoria programada: a regra de quem começou depois da reforma
Começou a contribuir para o INSS depois de novembro de 2019? Veja a aposentadoria programada: idade mínima, tempo de contribuição e como o valor é calculado.
Por Redação Aposento Certo
Roteiro do cartão 10 partes
Por que essa regra existe
A Emenda Constitucional 103, que reformou a Previdência em 2019, mudou as aposentadorias do Regime Geral. Para quem já contribuía, criou regras de transição. Para quem chegou depois, criou uma regra única, que o INSS chama de aposentadoria programada.
Ela substitui, para esse grupo, as antigas aposentadorias por idade e por tempo de contribuição.
Como saber se você está nela
A pergunta é simples: você tinha alguma contribuição ou vínculo com o INSS até 13/11/2019?
- Se sim, mesmo que tenha sido um único mês num emprego antigo, você é filiado antes da reforma e pode usar as regras de transição do INSS.
- Se não, sua regra é a programada.
Muita gente acha que está na regra nova porque ficou anos sem contribuir. Não é assim. Um vínculo de juventude esquecido muda tudo. Por isso, antes de concluir, confira o extrato completo: veja como tirar o extrato do CNIS.
Os requisitos
A Emenda prevê, para quem se filiou depois da reforma:
- idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres;
- tempo de contribuição de 20 anos para homens e 15 anos para mulheres;
- carência de 180 contribuições mensais.
Os requisitos estão na Constituição, mas uma lei futura pode alterar parte deles. Confira a versão vigente na página de aposentadoria programada do INSS antes de fazer planos.
Carência não é o mesmo que tempo
Carência é a contagem de contribuições mensais válidas para esse fim. Alguns períodos contam como tempo sem contar como carência, por exemplo certas contribuições pagas em atraso. A diferença está explicada em carência e tempo de contribuição.
Como o valor é calculado
O INSS faz a média de todos os salários de contribuição desde a filiação, corrigidos monetariamente. Sobre a média, aplica:
- 60% como ponto de partida;
- mais 2% para cada ano de contribuição acima de 20 anos, no caso dos homens;
- mais 2% para cada ano acima de 15 anos, no caso das mulheres.
O benefício não pode ficar abaixo do salário mínimo do ano nem acima do teto do INSS. Os dois são reajustados periodicamente; o guia piso e teto da aposentadoria mostra onde conferir.
Exemplo com uma família hipotética
Imagine a Renata, hipotética, que nunca tinha trabalhado com carteira e começou a contribuir como autônoma em 2021, aos 40 anos.
- Ela não tem nada antes de 13/11/2019, então está na regra programada.
- Com 62 anos, terá cerca de 22 anos de contribuição, se não interromper.
- Cumpre a idade e passa dos 15 anos mínimos.
O percentual dela seria 60% mais 7 anos x 2%, ou seja, 74%. Com uma média hipotética de R$ 2.500, a conta fica 2.500 x 0,74 = R$ 1.850.
Agora o irmão dela, Carlos, também hipotético. Ele teve um emprego de seis meses em 2010 e só voltou a contribuir em 2022. Como tem vínculo antes da reforma, Carlos não está na programada. Ele pode usar as transições, como a aposentadoria por idade urbana, que para homens filiados antes da reforma pede 15 anos de contribuição, e não 20.
Programada ou transição: a diferença em uma tabela
| Ponto | Filiado depois de 13/11/2019 | Filiado até 13/11/2019 |
|---|---|---|
| Regra disponível | Só a programada | Transições ou direito adquirido |
| Tempo mínimo do homem | 20 anos | 15 anos na transição por idade |
| Tempo mínimo da mulher | 15 anos | 15 anos na transição por idade |
| Escolha entre regras | Não há | Pode usar a mais vantajosa |
A tabela mostra por que um único mês antigo de contribuição tem tanto peso, principalmente para homens. Cinco anos a menos de tempo exigido podem significar cinco anos a menos de trabalho.
Pontos de atenção para quem está começando
Contribuir pelo plano certo
Quem é autônomo ou facultativo pode escolher planos com alíquotas diferentes. O plano simplificado tem contribuição menor, mas limita o valor do benefício ao salário mínimo. Veja plano simplificado de 11% e contribuinte individual.
Mês abaixo do mínimo
Depois da reforma, mês com contribuição abaixo do salário mínimo não conta sozinho. É preciso complementar ou agrupar. O guia contribuição abaixo do mínimo explica as saídas.
Guardar comprovantes
Guias pagas, contratos e holerites ajudam a corrigir qualquer falha no CNIS anos depois.
Erros comuns de quem está na regra nova
- Supor que a idade mínima basta e esquecer o tempo de contribuição.
- Passar anos pagando abaixo do mínimo sem complementar.
- Não conferir o extrato do CNIS e descobrir falhas só na hora do pedido.
- Achar que está na regra nova sem procurar vínculos antigos na carteira de trabalho.
Quem evita esses quatro deslizes chega ao pedido com menos surpresa e menos chance de exigência.
Quando chegar a hora
O pedido é feito no Meu INSS ou pela Central 135, de graça. Ninguém precisa pagar intermediário para dar entrada. Se o pedido for negado, cabe recurso, e a Defensoria Pública da União orienta sem custo.
Próximos passos
- Tire o extrato do CNIS e confira se existe qualquer vínculo antes de 13 de novembro de 2019.
- Se não existir, anote a data da primeira contribuição e conte quanto tempo já tem.
- Confira na página do INSS os requisitos atuais da aposentadoria programada.
- Se você é autônomo ou facultativo, revise o plano de contribuição que está usando.
- Guarde as guias pagas e faça uma simulação gratuita no Meu INSS uma vez por ano.
Perguntas no balcão
O que é a aposentadoria programada?
Quem contribuiu um mês antes de 2019 entra na regra programada?
Quanto tempo de contribuição a regra programada exige?
Onde conferir
Escrevemos a partir das páginas oficiais do INSS e da legislação, sem cobrar nada de quem lê. Achou um erro ou uma regra desatualizada? Fale com a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 26 de abril de 2027. Veja a política editorial.
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